1º dia: o encontro.
Adorei ficar com ele!
Achei o máximo ele ter me deixado aqui em casa. Até esperou que eu entrasse e trancasse o cadeado do portão antes de ir embora.
Ele é muito fofo. Mas não “só fofo”. Que máximo!
O beijo dele ainda tinha gosto do vinho chileno que tomamos no restaurante.
Ai! É uma pena que não escolhemos o sonho que vamos ter à noite.
2º dia: a pesquisa.
Como era o nome inteiro dele? Vamos ver aqui no cartão que ele me deu no dia que nos conhecemos. Aqui! William Moura... Ótimo. Ainda bem que o nome dele não é “José Silva”, senão eu nunca ia conseguir fazer isso agora.
Google... Google... São Google... Vamos ver o que aparece.
Um blog! “Abrir em nova aba”.
Facebook! “Abrir em nova aba”.
Sobre o que ele escreve? Ufa... Nada sobre o nosso encontro. Se bem que a última atualização foi há quatro meses.
Hmmm... Facebook desatualizado sem foto. Entrou por moda.
Vamos ver em imagens. É ele aqui? Não.
Olha só! O Wagner Moura. E o Wagner Montes naquele vídeo que o dente dele cai ao vivo.
Ah. Está bom! Vou ler os outros posts dele.
Olha! O perfil dele no Orkut. Vou adicionar!
3º dia: telepatia.
Nossa! Adicionei o cara ontem e ainda nada!
Hmmm... Ele deve ser muito ocupado. Deve estar ocupado.
Já sei! Vou entrar no Orkut com o login da minha mãe. Ela não tem o “dedo-duro” de visitas a perfis.
Vamos ver... Vamos ver... Ele não bloqueou o acesso para desconhecidos às fotos.
“Réveillon 09-10”. Hein? Essa é a ex dele? Ainda está nos álbuns? Por quê?
Ei! Ele teve atualizações ontem! Por que ele não me autorizou?
Provavelmente viu minha solicitação, mas pensou que ainda tem a presença da ex em seus álbuns e não deu tempo de tirar. Só vai me aceitar quando deletar essas fotos.
Ou então, ele pensou que estou desesperada e disponível demais para ele, porque mal saímos e eu “misteriosamente” o encontrei no Orkut. Ou seja, estava pesquisando e procurando pateticamente por qualquer registro dele na internet. Droga! Não devia ter adicionado!
Não. Calma.
4º dia: o jogo.
Hoje é o dia mundial da ligação.
Cadê? Cadê?
Bom. Deixa eu me concentrar no trabalho.
Aquele fornecedor corno e mal amado ainda não mandou as amostras daquele papel texturizado, parcialmente hidrogenado e ecologicamente correto. Tampouco retornou minhas ligações. Deve estar querendo perder cliente. Imbecil.
Igual ao William. Se aquele desgraçado não me ligar hoje, eu... Eu... Eu... Provavelmente vou ligar de volta.
Ah. Vou passar um SMS engraçadinho, inteligente, sexy, direto, que mostre que eu estou com saudades, mas também que eu posso aguentar. E firme! Ele tem que ficar em dúvida se preciso dele ou não. Mas ainda tem que saber que tem uma chance. Só mais uma. Ou duas.
5º dia: telepatia 2. A missão.
Como assim?
A resposta para “Não precisa ligar não. Nem estou sentindo sua falta :-P” é “Estava pensando em você.”?
Foi muito automática.
Com certeza ele pensou melhor e está voltando com a ex. CERTEZA.
Cachorro. Calhorda. Nem para ligar de volta.
Ou então, ele ficou sem saber o que responder. De novo, achou que sou atirada, carente de disponível demais para ele.
Deve estar pensando: “aquela idiota está comendo na minha mão!”.
Agora vai me manter na geladeira dele. Sempre pronta para descongelar no forno de microondas para consumo imediato. Igual a um raviolone recheado pré-cozido.
6º dia: o outro cara.
Adorei ficar com ele!
Achei o máximo ele ter me deixado aqui em casa. Até esperou que eu entrasse e trancasse o cadeado do portão antes de ir embora.
Ele é muito fofo. Mas não “só fofo”. Que máximo!
O beijo dele ainda tinha gosto do vinho chileno que tomamos no restaurante.
Ai! É uma pena que não escolhemos o sonho que vamos ter à noite.
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