sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Self-Bullying?



A prática de bullying é condenável. Isso não dá para contestar. Só acho curioso a importância e o destaque que o assunto ganhou nos últimos anos.

Na verdade, voltei a escrever aqui não para trazer mais uma inútil definição/explicação sobre o tema, mas sim para compartilhar uma reflexão viajante.

Estava pensando que, no fundo, todos somos bullies. A diferença entre cada um de nós é o alvo das nossas brincadeiras de mal-gosto, imposição de força, chacota e etc.

Com as atenções voltadas para os diversos tipos de valentão clássico, esquecemos de uma série de pensamentos destrutivos que temos contra nós mesmos.

De repente, no banho, você lembra de uma coisa extremamente idiota que fez no colegial.

Antes de dormir, vem à cabeça algum erro de muitos anos atrás, só que amplificado por 1000.

Uma série de pensamentos que dão vontade de gritar: PORRA, CÉREBRO!



A partir daí, você se acha um monstro. Ou um completo idiota.

Até que chega um ponto em que isso começa a atrapalhar nossas vidas. Quando temos a certeza de que somos horríveis demais para realizar alguma coisa.

Os erros deixam de ser parte do aprendizado para se tornarem uma profecia pessimista que nos impede de arriscar.

"Eu sou péssimo nisso!"

"Eu não consigo pensar de outra maneira!"

"Eu não consigo ver de outra maneira!"

"Nunca mais eu vou conseguir fazer isso!"

Aí, como defesa, vem o clássico complexo de Gabriela: "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim."

Ok! No fim, tudo se resume ao fato de que nossas atitudes, comportamentos e pensamentos têm consequências. Será que estaremos dispostos e preparados para encará-las?




domingo, 28 de outubro de 2012

Who cares?


Ontem, estava em uma churrascaria com alguns amigos. Um reencontro típico, com todas as intermináveis besteiras e idiotices que falamos para nos entreter.

Quando já estávamos no estágio da gula, satisfeitos com o que já tínhamos comido porém, ainda aceitando novos pedaços de fraldinha, costela e picanha, um fato no salão do lado chamou nossa atenção.

Um enorme grupo de pessoas chegava nessa ala fechada da churrascaria para uma festa de casamento. Sorrisos, falas e gritarias indistintas, além de toda aquela série de clichês.

Da nossa mesa, não demos muita bola para as festividades, até que chegou a hora de um dos clichês mais interessantes: o arremesso do buquê.

A namorada de um dos meus amigos, única mulher presente na mesa, comentou que ela acha esse momento muito constrangedor. Quando os bêbados da festa gritam “Encalhadas!” e algumas solteiras viram gladiadoras sanguinárias para capturar o ramalhete voador.

Depois de mais alguns comentários observando o evento, comecei a viajar e pensar na situação, no Facebook, nas minhas opiniões, convicções, na vida dos outros e a importância da tecla Foda-se em nossos cérebros.

Sobre a situação, pensei: “Foda-se! Qual o problema? Deixe as mulheres do casamento serem felizes e se divertirem. Por que eu estou aqui sendo ácido e criticando? Quantas coisas eu deixo de fazer porque imagino que as outras pessoas acham ridículo?”.

Sobre o Facebook, lembrei da seguinte tirinha dos Malvados:




Depois pensei: “Foda-se! Odeio gente que caga regra. Não quer ler o que o outro posta? Cancela a assinatura. Já fiz isso com várias pessoas que publicavam e compartilhavam conteúdos que não me agradavam.”

A rápida maré de pensamentos me levou a pensar no quanto eu deixo de curtir vários momentos por conta de algumas convicções e indignações. Em geral, elas são imbecis. Se quiser, mantenha as suas, mas estou tentando me livrar das minhas.

Por exemplo: acho ridículo que em tempos atuais, as pessoas ainda busquem pedigree e comprem cachorros e gatos com tantos animais abandonados precisando de um lar. Fiquei puto com a hipocrisia dos “ativistas de Facebook” por eu ter recebido uma caralhada de ligações e e-mails quando achei um Lhasa Apso perdido e absolutamente nenhuma quando anunciei um cãozinho de rua para adoção.

Foda-se! Vou deixar de brincar com o cachorro de um amigo por conta disso? Passar um sermão nele? Isso que é ridículo.

Odeio música sertaneja, dance music, axé, funk carioca, entre outros. Fecho a cara quando esse lixo toca no mesmo lugar que eu estou. Antes, ficava emputecido por conhecer gente que realmente gosta desses estilos. Depois, tentei achar explicações racionais para tentar entender a cabeça estranha dessas pessoas.

Hoje? Foda-se! Ainda posso ficar de mau humor quando alguém ouve isso perto de mim, mas se estiver numa festa e rolar esse tipo de som, vou dançar, pular, rir e não xingar. Confesso que isso ainda é bem difícil, mas estou evoluindo.


Enfim, foda-se tudo isso. Foda-se esse texto. Fodam-se todos os ativistas partidários, politicamente corretos, revoltados e pequenas autoridades de Facebook. O que eu quero é me divertir.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Hellmann’s Airlines

Quando eu estava no primeiro ano da faculdade, um professor disse que todos da minha geração eram muito jovens para fazer o curso de Psicologia.

Na época, não dei muita bola. Hoje, depois de passar um tempo de fora da área, percebi que tem certas coisas que a faculdade não ensina.

Foi necessário sair da área, respirar novos ares, conhecer pessoas e viver diferentes situações.

1 -  Bom senso.
Mesmo no 5º ano, alguns alunos reclamaram que não utilizávamos técnicas durante os atendimentos na clínica-escola. Fica a pergunta: será que, naqueles casos específicos, era necessário aplicar alguma técnica?

Assim como na música, ou outras áreas, a teoria é uma ferramenta, não a atividade em si.
Um guitarrista deve tocar música apenas para usar suas técnicas ou estuda as técnicas para tocar melhor suas músicas?
Atingir a maturidade do bom senso é tão importante quanto o conhecimento teórico?


2 - Desculpas.

Quando alguém não quer fazer algo, a criatividade para desculpas é infinita. Cabe até um estudo das capacidades do cérebro humano.


3 - Tempo.

Um tema intimamente relacionado ao tópico anterior. Com milhares de livros de auto-ajuda, textos compartilhados nas redes sociais, palestras e treinamento de desenvolvimento e administração do tempo, as pessoas ainda insistem em dizer que deixam de fazer algo por falta de tempo. Por que será que elas não assumem que priorizam e dão preferência a algumas atividades por puro interesse pessoal?


4 - Explicações não solicitadas.

Quando alguém começa a falar uma série de justificativas e explicações da própria personalidade que não foram pedidas por nenhum dos integrantes da conversa, fica a pergunta engatilhada: “quem você está tentando convencer? A mim ou você mesmo?”.


5 -  O que sou X o que faço.

Muita gente se define, primeiramente, pela profissão ou formação acadêmica. Isso é estranho, não? As pessoas se resumem apenas ao que elas fazem?
Ainda não descobri se esta é a definição mais fácil ou se simplesmente não nos interessa descobrir quem somos.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Vacinação em Entrevistas de Emprego


A experiência faz você observar mais os fatos e tirar algumas conclusões.

Ao conhecer e passar por diversas empresas, grandes e pequenas, você pode pensar que apenas o seu mercado de trabalho é ruim.

Não é bem assim.


Depois de conversar com um amigo que teve metade do cachê roubado pelo próprio agente, outro que tem uma batalha diária contra os calotes dos clientes, é fácil concluir que há filhos da puta em todas as áreas.

Portanto, a presença de um filho da puta deixa de ser um critério de escolha ao avaliar seu próximo destino. Algum certamente estará lá.

Aliás, está cada vez mais difícil tomar uma decisão. Da mesma maneira que todos os smartphones imitam o iPhone, todas as empresas parecem iguais.

Por exemplo, um fato comum entre todas é que, sempre quando vão propor um salário menor que o desejado, os entrevistadores falam:

- Olha, o salário é menor, mas aqui, você vai ter um carimbo na carteira de trabalho da Mother Fucking Big Corporation. Imagine isso no seu currículo.

Ou no caso de uma empresa pequena:

- Olha, o salário é menor do que você está pedindo. Mas veja que grande oportunidade! Você vai poder crescer junto com a gente!

Na primeira vez que ouve um discurso assim, você acredita com empolgação.

Tempos depois, só acredita com um pé atrás.

Aos 30 e com conhecimento empírico, tudo que vem à mente é a seguinte cena:

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Mundos



Todos os anos, a cada Virada Cultural, eu ouço comentários contra o evento. 

“Ai... É muita gente!”

“Meu amigo foi assaltado lá!”

“Você viu que morreu uma pessoa?”

“Está rolando o vinho químico e um monte de brigas por lá!”

“Ai... Estava no Metrô, vi que era muita gente e desisti...”

Até comentei com uma amiga: “Caraca! Eu devo viver no mundo da Coca-Cola, porque faz uns 7 anos que vou direto e nunca me aconteceu nada”.

Otimistas e pessimistas. Todos acham que são realistas.

Isso me fez pensar em outro assunto: o auto-engano.

É impossível dizer o que é a realidade. Sempre teremos uma percepção, próxima ou não, do que as coisas são.



No que diz respeito ao auto-conhecimento, nossa percepção pode ser ainda mais discrepante. Em geral, sabemos muito pouco sobre nós mesmos, até porque não queremos saber.

Aí, criamos um mundo próprio e personalizado para viver. Fiel a realidade? Nunca poderemos dizer.

A não ser que você tenha plena consciência de que o frio não existe, por exemplo. Que são só seus neurotransmissores passando uma informação ao cérebro.

Ou ao chutar uma mesinha de centro descalço, você pense convicto: “se eu não tivesse um cérebro, não sentiria dor. Logo, isso não é nada.”

E que um por do sol ou uma praia são a mesma paisagem monótona em qualquer lugar do mundo. Achar bonito ou feio é apenas outra mensagem entre suas sinapses.

Diferentes visões, julgamentos, percepções, sensações. Se cada um de nós cria o mundo em que vive e a ilusão não é prazerosa ou satisfatória, é mais fácil inventar um mundo novo. 

Acho que psicoterapia pode ajudar nessa tarefa.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Espelhos



Há alguns anos, participei de uma dinâmica de grupo na faculdade.

Tínhamos que escrever nossas características, positivas e negativas, em etiquetas adesivas.

Depois, ao som de uma música qualquer e em movimentação aleatória pela sala de aula, colaríamos as mesmas etiquetas em nossos colegas.

Que eu me lembre, o objetivo do exercício era mostrar alguns traços da própria personalidade e encontrar, em outra pessoa, algo similar.

Duas das minhas etiquetas ficaram registradas na memória até hoje. Uma dizia “egoísta” e a outra “preguiçoso”.

Em doses moderadas, o egoísmo é bom. É importante que cada um olhe para o próprio umbigo de vez em quando. Porém, em geral, a palavra tem conotação bem negativa.

Já a preguiça, apesar de ser uma delícia, também carrega um estigma ruim.

Ao fim da atividade, cada participante faria comentários das rotulações que receberam dos colegas.

A menina que recebeu “egoísta” falou, com lágrimas nos olhos, o quanto ela fazia questão de ajudar os outros, e receber tal adjetivo era uma grande injustiça. Momento de tensão no ar.

Outra colega também ficou indignada ao ser chamada de “preguiçosa”, e tendo o apoio de uma amiga, discursou sobre o quanto ela trabalhava durante o dia para ainda encarar a faculdade.

Confesso: eu não esperava que as minhas etiquetas seriam motivo de tanta polêmica.

No dia, fiquei em silêncio e até acanhado. Hoje, como num pop-up, a cena voltou na cabeça e pensei: se aquela característica era tão discrepante em relação a personalidade delas, por que será que incomodou tanto?

Será que enfiei uma bituca de cigarro em uma ferida aberta e girei?

O que incomoda é o que não gostamos em nós mesmos e preferimos nem pensar?

O que não gostamos no outro é justamente o que não temos coragem de assumir que somos ou fazemos?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Análise de aparências no comportamento de grupo: reuniões de processo

Em uma série de situações grupais, é possível observar um padrão de comportamentos.

Há tempos que percebi e confirmei que, reuniões com o intuito de tomada de decisão frente a algo que não está correndo bem, são absolutamente inúteis. Perda de tempo.

Tudo corre em 10 etapas.

1 - Discurso introdutório da reunião semelhante a um culto. “Pessoal, chamei vocês nessa reunião para...”

2 - Primeiras considerações do participante com anotações prévias, que marca em um checklist todos os temas que gostaria de abordar.

3 - Exaltação. Alguém não aprova ou se sente ofendido.

4 - Stress. Discussão em alto volume.

5 - Frase de efeito: “Calma, gente! vamos parar com isso. Precisamos focar no que vai resolver!”

6 - Ânimos se acalmam com a mudança de assunto.

7 - Surge sugestão utópica.

8 - Momento de união e concordância com a ideia que resolverá os problemas.

9 - Empolgação ao discorrer as possíveis consequências da mágica solução.

10 - Fim súbito da reunião, pois outras demandas exigem a atenção dos profissionais.

Um detalhe interessante é que os passos 3, 4, 5 e 6 podem formar um ciclo, ou looping, que ocupa boa parte do evento, conforme abaixo.