terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

SUS

Entendo pouco de política. Eu deveria ser um cidadão mais ativo e participante.
Eu também deveria saber em quem votei para deputado, senador, vereador... Aliás, deveria saber também o que eles fazem. Qual a função deles.
Porém, sempre tento chegar a conclusões baseadas nos poucos conhecimentos que tenho. Sempre sob pontos de vista diferentes.
Uma coisa que tenho em mente: nunca devemos agradecer a um político. Eles estão lá apenas para fazer seus trabalhos perfeitamente e ouvir nossas críticas, reclamações e cobranças. Já tiveram nosso voto. Isso é mais do que suficiente.
“Reclamar de barriga cheia” é um privilégio que um povo só conquista reclamando. Sem parar de reclamar.
Entendo que como povo ou artista, eu tenho que estar smepre indignado. Sempre na oposição. Nunca na história deste país eu quis tanto mandar alguém tomar no cu.
Minhas curiosidades: nosso presidente sabe cantar o hino nacional?
Por que caralhas o Alencar, Dilma e Lula não ficaram internados pelo SUS? Isso poderia ser obrigatório para os cargos deles.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Eu me lembro

Lembrei esses dias de um exercício proposto por Goldberg em seu livro “Escrevendo com a alma”.
Ela pedia para começar um texto com a frase: “Eu me lembro...”.
O objetivo é exercitar o raciocínio da escrita, mas em mim, acabou tendo outro resultado. Veio o insight da minha impressionante capacidade de guardar informações inúteis na memória.
Conheça algumas coisas que lembrei.

Eu me lembro que...

1. Achava que o amplificador de guitarra que aparecia no clipe “More than words” do Extreme era um fogão. E não entendia o sentido daquilo.

2. Criei uma letra satírica, baseada na música dos Mamonas Assassinas, em homenagem à voz fanha de um grande amigo meu:

Ser fanho ou não ser
Eis a minha indagação
Quando eu falo, eu não entendo
Com as narinas mexendo
Precisando de tradução

3. Troquei dois socos com um dos meus melhores amigos quando tínhamos 12 anos. Ele babou no meu mapa da Mesopotâmia em papel vegetal. Eu dei um soco nele. Ele retribuiu. Apesar da minha maçã do rosto ter começado a doer, ambos começaram a gargalhar.

4. Fui duramente criticado por ter improvisado um waffle com almôndegas de peru ao sugo antes de ir para a faculdade.

5. No acampamento Peraltas, em Brotas, caí de costas e levantei com as canelas sangrando em uma piscina de 20 cm de profundidade.

6. O coco queimado que meu pai encontrou em um manjar branco num hotel no Espírito Santo era, na verdade, uma larva.

7. Com uns 9 anos aproximadamente, com a cabeça viajando na aula de Educação Física, imitei o Van Damme tomando um soco em câmera lenta no filme “Leão Branco, lutador sem lei” em plena quadra poliesportiva. Sorte que só um moleque viu e me zoou. Eu tinha até cuspido fragmentos de saliva no ar para simular o sangue do filme.

8. Quando eu fazia caratê, o sensei foi fazer um exercício de destravamento da coluna. No momento que pressionasse as costas, os alunos soltariam o ar com força. Quando fiz isso, acabei tossindo e soltando um catarro. Fiquei com o muco na boca sem saber o que fazer. Não tive outra escolha: o engoli de volta.

9. Uma vez machuquei o topo da minha cabeça enquanto brincava de Jaspion com a minha irmã. Eu era o monstro e fui correndo como um touro até o batente da porta. Sem dó. Fui para a escola com um band-aid na cabeça, que conteve o sangramento, mas fiquei preocupado porque parecia uma presilha de menina no meu cabelo.

10. Desde a 5ª série, tomo uma lata de coca-cola por dia. No colegial, chegava a tomar uma garrafa de 600 ml todos os dias na hora do recreio.

domingo, 3 de janeiro de 2010

A Utopia do “Deixar Rolar”

Seja bem-vindo a mais um capítulo de “coisas que não existem”.
Um clichê que soa muito bonitinho em comédias românticas e conversas em banheiros femininos entre mulheres que não se conhecem e estão comentando sobre episódios de Sex and the City.
No fim, acaba como uma desculpa esfarrapada em relacionamentos.
“Ah... Deixa rolar...”
Se tem uma coisa que a maioria dos seres humanos não sabe fazer é “deixar rolar” alguma coisa. Pouquíssimas coisas seguem um curso natural.
Deve ser da nossa natureza mesmo.
Cansados de procurar comida por aí, nossos ancestrais deixaram de ser nômades e fizeram uma primeira intervenção: a agricultura.
Em vez de procurar frutos e vegetais onde eles crescem naturalmente, descobrimos um mecanismo e plantamos o que queremos no nosso próprio território de maneira organizada.
Para que nossas plantas não precisem esperar as chuvas, estocamos água e as regamos de acordo com a necessidade.
Em vez de caçar, passamos a ter pastos e criar a nossa própria carne para o abate.
Em busca de terras férteis, ou algo mais que não me lembro agora, criamos represas que interrompem o curso dos rios.
Não basta ouvir o canto dos pássaros na selva. Precisamos ouvi-los de dentro de uma gaiola em nossos quintais.
A raça humana se considera alheia à natureza. É decepcionante entrar em contato com nossa passividade.
Voltando da Hellmann’s Airlines, deparamo-nos com nossa frase clichê.
“Vamos deixar rolar.”. Primeiro vem este pensamento. Logo em seguida, alguns minutos depois, já começam os movimentos estratégicos de um jogo muito bem pensado, mas que é só uma maneira para compensar a frustração de nossa passividade com os sentimentos do outro.
“Bom. Dessa vez eu vou deixar rolar. Hmmmm... Que vontade de ligar. Saímos ontem e eu curti bastante. Mas não vou ligar hoje. Vou só ligar na terça às 20h37 ou na quarta às 12h13, na hora do almoço. Não quero parecer ansioso demais, ou que sou facinho...”.
Ansiedade?
Mais uma das metafóricas represas que bloqueiam e/ou desviam o curso natural das nossas vidas. No caso, na tentativa de apressar as coisas.
É tentar ser como o Chuck Norris, que é tão foda que perdeu a virgindade antes de seu próprio pai.
É como querer nascer grávida.
É como ir descer as cataratas num barril e ficar batendo sua cabeça na madeira da parte interior até sangrar, antes mesmo do barril chegar à queda d’água.
“Ai... A gente saiu três vezes essa semana, estamos nos falando quase todo dia. Ai, Deus! Logo logo vamos casar, ter dois filhos, brigar para ver na casa de qual família vamos passar o Natal e comprar uma Palio Weekend para caber as compras do mês. Minhas mãos vão ficar secas porque não vamos ter dinheiro no começo para pagar uma empregada e esse desgraçado nos quatro primeiros meses vai lavar a louça, mas depois a única coisa que ele vai fazer é engordar a barriga com cerveja. Depois eu vou arranjar um amante na academia que realmente vai achar que estou meio acabada, mas no fim vai gostar de mim como eu sou. Eu não quero isso tudo para a minha vida. Acho melhor a gente parar de se ver.”.
Pirar com isso é “deixar rolar”? É mais fácil e franco assumir que não está a fim do que achar que as coisas não seguiram um curso natural. Se eximir da responsabilidade é também uma péssima tendência humana. Mas isso é outro assunto.
Por mais que tentemos jogar xadrez, as coisas simplesmente são, estão e acontecem. É horrível aceitar nossa impotência e passividade diante disso.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Psicologuês

Hoje, não consigo me lembrar o motivo exato que escolhi estudar Psicologia. Até porque foi o início de um caminho muito torto de toda minha carreira.
Em compensação, o comportamento humano sempre vai me intrigar. O fato de que homens e mulheres não vêm com manual de instrução. Isso deixa muita gente louca. Lembra daqueles que querem tornar tudo previsível? Pois é.
Pensando agora, a Psicologia em si e até mesmo a Filosofia são resultantes de uma tendência humana: complicar as coisas. Tudo. É mesmo contraditório.
O ser humano é previsível. Vai sempre complicar tudo que é simples. Condição que torna a natureza humana imprevisível. Looping.
O ponto da complexidade é interessante. A Psicologia Comportamental de Skinner sempre foi criticada pelas outras abordagens por ser simplista demais. Penso agora se esta não é mesmo a solução para tudo.
Simplicidade. Diferente de pobreza. Nem de longe, um sinônimo de facilidade.
Você é um iguana dentro de um terrário desejando liberdade. A solução é simples: sair. A realização, porém, não é fácil. Suas patas não têm a aderência necessária para escalar o vidro.
Pensar é, ao mesmo tempo, uma bênção e uma maldição.
A história abaixo eu retirei do livro “Platão e um ornitorrinco entram num bar...” de Thomas Cathcart e Daniel Klein:
“Um estudioso ouviu dizer que o guru mais sábio de toda a Índia vive no alto da montanha mais alta da Índia.
Então o estudioso atravessa mundos e fundos para chegar até a montanha famosa. Ela é incrivelmente íngreme e mais de uma vez ele escorrega e cai. Quando chega ao alto, está todo cheio de cortes e hematomas, mas lá está o guru, sentado de pernas cruzadas diante de sua caverna.
– Ó, sábio guru – diz o estudioso –, vim lhe perguntar qual é o segredo da vida.
– Ah, sim, o segredo da vida – diz o guru. – o segredo da vida é uma xícara de chá.
– Uma xícara de chá? Eu vim até aqui em cima para descobrir o sentido da vida e o senhor me diz que é uma xícara de chá?!
– Bom, então talvez não seja – diz o guru, dando de ombros.”
Quando foi que pensar na vida substituiu o viver?
É um tanto embaraçoso admitir, mas tudo o que acontece não acontece por razão nenhuma. Frase de uma charge do mesmo livro de Cathcart & Klein.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O primeiro passo

“Ele é um cara legal, mas vacila!”.
Real e metaforicamente, o primeiro passo é sempre o mais difícil. A iniciativa. Eu sei que isso soa meio Johnny Walker no ano-novo, mas fiquei viajando por esses dias sobre isso.
Diversas frases, de revistas de mulheres com mais de 40 a livros de auto-ajuda, tratam do assunto. Máximas como: “não existe tentar, existe fazer ou não fazer” ou “eu só vou saber se vai dar certo se tentar”. Outras incentivam o primeiro passo por outra abordagem como: “você só tem que se arrepender por não ter feito...”.
Abomino e desprezo essas regras certinhas. Muitas vezes, a decisão correta pode ser “ficar parado”. Sempre defendo que todas nossas decisões estão certas.
A Psicologia de Boteco afirma que o tema “primeiro passo” deve ser abordado de uma maneira diferente.
O ponto é que não quero me sentir obrigado a sair por aí dando primeiros passos para chegar a um estado utópico e acomodado de felicidade, mas sim que conhecer e fazer coisas novas trazem sempre experiências, aprendizado e, no mínimo, histórias interessantes para serem contadas.
A experiência nova contribui para acabar com aquela sensação de que “o ano passou mais rápido dessa vez”.
Arrependimento também é bom. Ele automaticamente se torna um fator de julgamento de uma escolha futura.
Em 2010 eu quero pouco a pouco recuperar mais dos meus instintos e poder confiar neles.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Professores de Música

Farei agora uma breve análise da Psique dos professores de música baseada na segunda tópica da personalidade de Freud.
Antes, uma introdução rápida e resumida. Na segunda tópica, o aparelho psíquico é composto pelo Id, Superego e Ego. Id é o responsável pelos impulsos primários, o Superego são os valores morais introjetados durante o nosso desenvolvimento e convívio social. O Ego é a instância que faz uma síntese do conflito entre os dois primeiros e adapta para a realidade. O Ego é a ponta do Iceberg que é visível na superfície da água.
Explicação rápida, vamos agora analisar as seguintes situações:

1. Ensaio para apresentação de final de ano. Banda de alunos, formada. Música? Um clássico da Rita Lee. Eis que uma aluna metida a descoladinha que assistia ao ensaio proclama: “eu não conheço essa música”. Ao que parece, com intenção de demonstrar o seu lado cool e cult. As alunas mais velhas, participantes do ensaio e da banda, sentiram-se ainda mais velhas e levemente constrangidas com a declaração.
Na cabeça do professor, o Id prepara a primeira resposta: “você não conhece porque é burra!”.
O Superego filtra: “não diga isso. Ela é aluna, cliente e não é educado falar assim!”.
O Ego faz a adaptação: “Que gracinha! Nossa, ela é muito novinha!”.

2. Meio da apresentação. Aluno guitarrista sobe ao palco e recebe a pergunta do solícito professor:
– Você vai fazer solo?
– Vou!
– Então, você fica aqui neste ampli que tem o pedal de boost.
– E como usa?
O Id do professor cria imediatamente a resposta: “senta nele! Use seu reto. Aliás, o nome original é ‘retal’!”.
O Superego usa um argumento muito parecido com o da primeira situação: “Pare! Não responda assim! Ele nunca tocou num palco!”.
O Ego elabora a resposta final: “Pisa nele!”.

3. Meio da audição. Aluno desejando confete após uma apresentação impecável declama após seu desempenho no palco: “Foi uma bosta!”.
No Id do professor explode a resposta: “Foi mesmo!”.
Superego: “Isso não é educado!”.
Ego: “Foi ótimo! Para com isso!”.
Porém, se o aluno insiste, vale a resposta do Id. Mas só para dar uma lição.

4. Ex-aluno esquisito ressurge e pergunta: “posso fazer um som com a minha banda na apresentação de final de ano de vocês? Eu sei que já está tudo programado, agendado, com cronogramas precisos, mas dá para fazer um encaixe?”.
Id do ex-professor: “Eu te desejo uma lobotomia!”.
Superego: “Ainda acho que não seria apropriado...”.
Ego: “Não dá, querido. Já está tudo organizado.”

5. Aluno antigo, tocando heavy metal no final da apresentação. Havia um pedal de drive e um boost para aumentar o volume na hora de um possível solo de guitarra. O volume de tudo já estava tão alto e o aluno tocava a música inteira com o boost já acionado. Resultado? Seu solo não pode ser ouvido direito. Eis que ele reclama: “Pô! Minha guitarra estava mais baixa!”.
Id: “Puta que pariu! Drive é drive e boost é boost. Você é bem grandinho e já devia saber disso! Você pra mim é problema seu!”
Superego: “Só tira o ‘puta que pariu’.”
Ego: “Puta que pariu! Drive é drive e boost é boost. Você é bem grandinho e já devia saber disso! Você pra mim é problema seu!”.

Chega uma hora que nem o Ego aguenta.
Parabéns aos professores que controlam tão bem seus impulsos inconscientes!
Parabéns aos alunos que sempre mandam muito bem e por desculparem todas as minhas brincadeiras!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fases do Desenvolvimento

Transporte

Até os seis anos, minha mãe me buscava na escola.
Aos sete, eu achava o máximo andar na rua sozinho antes do treino de basquete para comer um lanche na casa do meu amigo.
Aos 15, fazia questão de ir ao shopping de ônibus para mostrar minha independência e morria de vergonha de telefonar a cobrar do orelhão para alguém me buscar.
Aos 18 eu já não ligava mais para isso e, até eu conseguir um carro, ligava para meus pais me buscarem em qualquer lugar que eu estivesse. Sem pudor.
Hoje tenho o Ogromóvel. Ufa.

Natal

Até os 12 anos, eu acreditava em Papai Noel e esperava ansiosamente a manhã do dia 25 de dezembro para olhar se tinham presentes embaixo da minha cama.
Até os 14, me sentia o máximo por sair da Matrix e conseguir manter a ilusão para a minha irmã mais nova que continuava acreditando.
Depois disso, os presentes já eram trocados à meia-noite, com toda a família reunida e ainda havia ansiedade para saber o que eu iria ganhar.
Aos 20, ganhei cinco cabides de presente. A esperança de ganhar algo legal estava no amigo-secreto com amigos e/ou no trabalho.
Aos 27, compro como meus próprios presentes. Natal passou a valer apenas pela reunião, risadas, cerveja e ceia.

Jaspion

Aos seis anos, assistia, acompanhava, vibrava, torcia e aguardava ansioso pelos próximos episódios. Quando assisti ao episódio final, decorei tudo e imitava todos os movimentos do Daileon contra o Poderoso Satã-Goss com minha espada amarela do He-man.
Dos 12 aos 15, assistia quando passava na televisão, mas tinha vergonha de revelar isso. Cavaleiros do Zodíaco era aceitável acompanhar porque estava na moda. Power Rangers, não.
Depois dos 25 anos, resolvi ir até a Liberdade comprar todos os 46 episódios de Jaspion em DVD com menu interativo, extras, som em japonês e português.

Diversão

Aos 15 anos, ia até o Clube K na Vila Olímpia, pagava consumação na entrada e só bebia coca-cola.
Aos 18, seguia meus amigos em baladas da moda.
Aos 20, queria baladas com bandas ao vivo que tocassem o estilo de rock n’ roll que eu curtia.
Com 23 anos, procurava bares com música voz e violão para poder conversar melhor numa mesa.
Aos 25, dei preferência a bares com música ambiente.
Com 27 anos, me satisfaço com um boteco que tenha cerveja em garrafa 600 ml.